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Quando eu vejo, saio dançando por aí!


Por Fernando Gazzaneo

Começo hoje uma coluna fixa de clipes: "quando vejo, tenho vontade de sair dançando por aí". Não importa o ritmo ou a banda – da quebradinha de quadris de ‘Scissor Sisters’ ao gingado do tecno-brega de ‘Calipso’ - o que importa é dançar!

Dou início com o clipe de Carmensita, do esquisitão Devendra Banhart. A música faz parte do último álbum "Smokey Rolls Down Thunder Canyon", de 2007, que também conta com a participação do Amarante, do Los Hermanos. Aliás, em entrevista, Devendra disse adorar a música brasileira, especialmente o som que era feito pela galera dos Novos Baianos. No clipe de Carmensita, a graciosa Natalie Portman, namorada do Devendra, paga um mico, mas manda bem na dancinha indiana. Coisa de apaixonada, só pode ser.





E você? Conhece algum clipe super dançante? Diz aê que a gente coloca!

10/10/2008 às 19:21
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A histeria das fãs do McFly


Por Mariana Mekbekian

Ontem, 8 de outubro, fui ao Via Funchal assistir ao show do McFly, banda inglesa composta por: Tom Fletcher (guitarra e vocal), Danny Jones (guitarra e vocal), Harry Judd (bateria) e Dougie Poynter (baixo), que toca um britpop bem animado. Chegando perto da casa já se via na rua como ia ser o esquema do show: meninas de 12 à 18 anos completamente histéricas! (acredito que eu e algumas mães éramos as pessoas mais velhas por lá). Tiete é pouco pra emoção que elas estavam sentindo. A casa não estava totalmente lotada, mas a grade estava como sempre pior do que hora do rush na Sé. A banda de abertura eram os meninos do BreakOut, uns fofos! Agradaram a platéia, que sabia todas as músicas, e fizeram graça para os fotógrafos.

Mas a grande atração da noite era mesmo o McFly, e qualquer movimento suspeito no palco era motivo para casa vir abaixo com gritos. O show começou as 21:00, fazendo jus a pontualidade britânica.  Bichinhos de pelúcia, cartazes, presentes; elas vieram equipadas, e os meninos souberam agradecer todo o carinho das fãs super bem.

Animados da primeira a última música, o McFly não desapontou em nada, mesmo com um show curtinho (pouco mais de uma hora). Cantaram, gritaram, dançaram e conversaram super com a platéia. Entre uma música e outra não faltaram: “I Love you Brasil!!” e muitos “Obrigadooo!!”. Eles estavam muito impressionados com o sucesso deles por aqui, já que quase não se vendem os CDs deles no Brasil. Na última música todos saíram e voltaram com camisetas do Brasil, para o delírio da platéia.

O show foi muito divertido! E ficar ali pertinho, pra poder tirar as fotos foi surreal! Vamos torcer agora para eles voltarem mais vezes, e pedir, por favor, pra trazerem os discos pra cá também! Afinal, respondendo ao que eles repetiram umas três vezes no show: “We don’t know if you can understand us...” – Yes Danny!! We can!!!

Para ver mais fotos, clique aqui e veja nossa galeria.

09/10/2008 às 18:27
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Maroon 5 faz shows em novembro


Por Fabiana Faria

Depois de quatro anos de seca, os fãs do Maroon 5 vão curtir shows dos caras por aqui em novembro. O grupo de pop rock é formado por Adam Levine (vocal e guitarra), James Valentine (guitarra), Jesse Carmichael (teclado), Mickey Madden (baixo) e Matt Flynn (bateria).

Com pouco mais de 10 anos de atuação, eles são conhecidos pelo sucesso e pela quantidade de prêmios que já receberam. Desde 2004, colecionam 14 prêmios como reconhecimento de seu trabalho, além dos 26 discos de platina pelo álbum de estréia, Songs About Jane (2002), que teve mais de 10 milhões de cópias vendidas.

Rio de Janeiro
Local: HSBC Arena
Endereço: Avenida Embaixador Abelardo Bueno, 3401 - Barra da Tijuca Data: 07 de novembro (sexta-feira)
Horário: 22h
Preços: de R$50,00 a R$350,00
Pontos-de-Venda:
HSBC Arena
Live Pass - www.livepass.com.br
Quiosques Lojas Americanas Express
Informações: (11) 3556 5151

Belo Horizonte
Local: Festival Pop Rock Brasil 2008 - www.poprockbrasil.com.br
Data: 08 de novembro (sábado)
Preços: de R$70,00 a R$340,00
Pontos-de-venda
www.ingressorapido.com.br
Lojas do Ingresso Rápido - (31) 3209 9898

São Paulo
Local: Via Funchal
Endereço: Rua Funchal, 65 – Vila Olímpia
Data: 09 de novembro (domingo)
Horário: 21h
Preços: de R$180,00 a R$300,00
Pontos-de-Venda: Via Funchal - www.viafunchal.com.br
Mais informações sobre pontos de venda: (11) 3188-4148

08/10/2008 às 17:35
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Mallu Magalhães arrasa na gravação do DVD


Fotos e Texto: Fabiana Faria

Ontem eu fui assistir à gravação do DVD da Mallu Magalhães no Na Mata Café, em São Paulo, conforme tínhamos informado em post anterior.

Com um pouco mais de uma hora de atraso, o show começou com a casa abarrotada de gente. Lá é pequeno (devia ter umas 600 pessoas) e a parte de cima ficou repleta de familiares e amigos. Eu, por coincidência, fiquei bem perto deles e pude ver a alegria com que o pai dela falava dela, do sucesso, do trabalho, das novidades... Ele comentou bastante com os amigos do show da emoção do show de Recife, do festival Coquetel Molotov, que a gente também deu aqui no blog.

Eu não tenho nada a ver com isso, mas não pude deixar de ouvir e tenho que contar. Ele disse que, nas férias, eles devem fazer um estúdio lá na casa da Mallu. "Acho que a gente vai usar aquele quarto embaixo da piscina", eu ouvi. Chique, tá, meu bem?!























Mudando de assunto, a primeira coisa que eu pensei quando estava indo para o show foi em descobrir quem era o público da Mallu. Saí de lá sem saber: tinha uma galerinha bem novinha, de uns 15 anos, mas tinha gente de todos os tipos, idades, estilos... Parece que ela é bem democrática mesmo, agradando um monte de gente.

Quanto ao show, ela entrou de cartola, assim como toda a banda. Usava um vestidinho preto, gravata borboleta e um sapato de cada cor. Um charme! E, podem falar o que quiser: a menina é um fenômeno e é fofa demais! Eu, que tenho 12 anos a mais do que ela, fiquei com vontade de pegá-la no colo e levar pra casa, como uma irmãzinha mais nova, sabe?

Por trás da fragilidade, ela conseguiu entreter o público que cantava as músicas até com certa discrição, mas todos pareciam estar muito felizes de ver a adolescente no palco.




































Não fiquei até o final e o site Terra disse que ela saiu do palco amparada por seguranças, pois havia passado mal. Segundo a assessoria de imprensa, ela saiu meio correndo porque estava gripada e eles não queriam que ela ficasse mais dentro da casa noturna, com medo de ficar ainda mais doentinha. Passando mal ou não, é bacana ver o sucesso dela e espero que isso continue sendo uma diversão e uma alegria na sua vida. Pelo menos, é como parece que ela encara tudo isso. Sucesso!

08/10/2008 às 13:00
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Sony Ericsson lança concurso de fotos por celular


Por Fabiana Faria

Você tem até dia 30 de outubro para inscrever suas fotos no torneio World View, uma iniciativa da Sony Ericsson, que reúne a comunidade de fotógrafos de celulares com câmera em uma busca internacional pelos melhores fotógrafos do ano.

É simples: envie uma foto tirada por você de um celular sem nenhuma edição no endereço http://www.sonyericsson.com/worldview. As três fotos com mais votos populares de cada país participam da rodada final, que conta com um júri de especialistas.

O vencedor global escolhido pelos especialistas ganha uma viagem com valor aproximado de 10 mi euros, podendo escolher entre cinco destinos. O vencedor escolhido pelo voto popular também ganha uma viagem, mas com valor de 5 mil euros. No ano passado, foram mais 3 mil fotos inscritas e quase 60 mil votos. A expectativa agora é receber 5 mil fotos.

07/10/2008 às 14:25
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Chilli Beans traz Vive La Fête ao Brasil para estrelar campanha


Por Fabiana Faria

A dupla belga Vive La Fête, um dos mais festejados nomes do ‘electro’ internacional, desembarcou no Brasil para estrelar a nova campanha publicitária da Chilli Beans. Apostando no slogan “sua vida pede muitos”, as peças têm como tema a compulsão, em divertidas situações protagonizadas pela dupla Els Pynoo e Danny Mommens.

Na foto, você vê a Els em uma banheira cheia de jujubas. Bem bacana, né?

Eles aproveitaram para atender a imprensa e divulgar os shows que realizarão em outubro - em São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e Belo Horizonte -, na tour internacional de seu recente álbum “Jour de Chance”.

06/10/2008 às 20:12
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Show da Vanessa da Mata em São Paulo


Por Fabiana Faria

Vanessa da Mata se apresenta no projeto Sons da Nova, da rádio Nova Brasil FM, em São Paulo. A cantora, que nasceu em Alto Garças (Mato Grosso), chegou a São Paulo em 1992 e começou em uma banda de reggae chamada Shalla-Ball, composta somente por mulheres. Ao mesmo tempo, era modelo e jogadora de basquete. De lá pra cá, muitos sucessos: Nossa canção, Não me Deixe só, Onde Ir, Ai,Ai, Ai.... e Boa Sorte/Good Luck.

Confira o repertório:
Show Vanessa da Mata
Data: 09 de outubro
Horário: 22h00
Local: HSBC Brasil
Rua Bragança Paulista, 1281 - Chácara Santo Antônio - São Paulo
Informações: www.ingressorapido.com.br / Tel: 4003-1212

06/10/2008 às 20:06
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Geração muitotempoperdidocomnada.com


Por Andrea Dip

Me irrita profundamente ver meninas de 15, 16 anos perderem seus dias de liberdade e inconseqüência fazendo feio nas baladas (teoricamente proibidas para elas),  rolando de bêbadas passando horas e horas tirando fotos de si mesmas para colocar no Orkut, fotolog, blog, flickr, fuçando a vida dos outros, fumando um cigarro atrás do outro... Enfim: perdendo um tempo danado de bom!

Ok. Confesso que minha revolta atual tem motivo. Fui com o meu namorado a uma balada onde ele toca uma vez por mês e durante o set - eu linda e loira dançando um 80´s, ele superconcentrado no oficio - eis que uma franjinha me chama na portinha da cabine: “vocêis toca ska?” Não, respondi ainda meio zonza com o ‘vocêis toca’. “Ah”. Respondeu a franjinha. “É que minha amiga quer ficar com ele” disse apontando para o meu namorado que já passou dos 30 há alguns anos. Juro que não peguei mal, disse a ela como quem diz a uma criança “mas ele é meu namorado”. E ela “Mais ele não trai?”

“O que?” Perguntei ainda sem acreditar. “Nada não” ela respondeu tropeçando e foi pra pista. Olha como é cabeça de mãe: claro que fiquei abismada com a audácia da garotinha, mas na hora só conseguia pensar “ah se fosse minha filha... bêbada, pagando de doidinha, com esse cigarrinho ridículo na mão, cara pintada, tropeçando e ainda quer ficar com o dj, que se não tivesse uma namorada DIVA como eu, poderia levar o pãozinho pra casa”. Imagina a enrascada! Já vi muito dj véio de guerra levando pãozinho pra casa. E ai, ai, ai, é assim que começa a desgraça.

É claro que eu também tive 16 anos. Também enchi a cara, também fiz pose de cigarrinho, carão pras fotos. Mas, talvez porque na minha época não tinha Orkut-fotolog-flickr e nem câmera digital acoplada a tudo, não perdia tanto tempo assim com nada. Besteira tomava um tempo mas não era o tempo todo assim vazio..

A gente ia pra escola, trabalhava, (eu no caso em uma loja de CD´s) ia a exposições bacanas, montava uma banda, esperava o menino telefonar fazendo outras coisas!

Passar o DIA pendurada no MSN falando com os miguxos? So boring!
Vá ler um livro, ver um filme, vá na casa da amiga falar com ela ao vivo, dividir a culpa de uma barra de chocolate... Ihhhhhhhh menina!

UM ACHADO
Essa menina está aproveitando bem seus aninhos de juventude!
Não é bem um achado porque você já conhece a Mallu Magalhães.

Ela vai gravar o seu DVD amanhã no Na Mata Café
Rua da Mata, 70 – Itaim Bibi
Dia 07/10 às 21h - Tel: 3079.0300

Foto de abertura: Evan Rachel Wood e Nikki Reed no filme "Aos Treze", de Catherine Hardwicke.

06/10/2008 às 12:12
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Festival Explosivo: no ar, Coquetel Molotov


Fotos e texto por Vivian Takahashi, enviada especial de GLOSS

Milhares de olhos e ouvidos atentos às novidades, ao inusitado, às surpresas. Tennis, scarpins, cabelos chapados e coloridos deram o ar da graça no festival anual que aconteceu no Recife, nos últimos dias 19 e 20 de setembro.

Marcelo Camelo
Íntimo e pessoal. Assim foi a estréia do músico Marcelo Camelo, em sua turnê nacional que deu o ponta-pé inicial no Recife, durante o festival "No Ar Coquetel Molotov". Sob pouca iluminação, o músico deu início a apresentação com um violão a tiracolo solando uma canção que beirava os acordes da música clássica. A banda Hurtmold, que esteve à vontade e em sintonia com o artista (com direito a várias improvisações no palco), acompanhava cada acorde que o Hermano ditava. A turma deve acompanhá-lo durante a turnê brasileira.

Entre um violão, uma guitarra e um violão, no meio do show, eis que surge uma convidada especial: Mallú Magalhães. Depois de um forte e longo abraço, chorando e chorando, duas canções foram entoadas em um dueto no bom estilo "um banquinho e um violão". A guitarra abre alas para o instrumento em que o artista ressalva suas fortes influências da bossa nova. Mallú se vai. A qualidade do som do teatro universitário era boa e com acústica similiar a execução de um cd. Os sussuros, só partiam do artista solo, extremamente concentrado. Mas do lado de lá do palco, parte da platéia fez um show à parte: aplaudia, gritava, tietava, cantava junto. Aqui, o barbudo é rei. Por diversas vezes, Camelo se tornava inaudível. Parava para celebrar junto aos fãs. "Vocês sabem tudo", disse. Tomara que não seja assim nas próximas apresentações. Banquinho, violão e "barulho" não combinam, como já disse o mestre João Gilberto, em suas apresentações.






































































Historicamente, o Recife tem uma ligação forte com a banda Los Hermanos. Aqui, eles foram lançados, em outros festivais, conforme admitiram os músicos em entrevistas à imprensa. Em um show, quando o artista e a platéia entram em sintonia, barulho é o de menos.





























Mallu Magalhães atendendo aos fãs

Os suecos
O coletivo musical trouxe ainda diversas atrações nacionais e internacionais, a última, sob a comenda de "invasão sueca": Peter Bjorn e John, Club 8, e Shout Out Louds. A vinda dos gringos se dá graças a uma parceria entre o coletivo musical e o governo sueco.

Final Fantasy
Do Canadá, veio o representante Final Fantasy, projeto solo do violinista do Arcade Fire. Da platéia, silêncio e aplausos incessantes apenas no fim de cada música. Do roqueiro, uma mostra do que pode sair de uma boa bagagem musical, conhecimento teórico e uma mistura de virtuosismo, altas doses de sentimentos e sons eletrônicos.












































O pessoal do Julia Says


Os nacionais
As atrações nacionais ficaram por conta de representantes de Pernambuco (Julia Says, A banda de Joseph Tourton, Pocilga Deluxe, Zeca Viana e a Onomatopéia Bum! e Catarina), Paraíba (Burro Morto), do Rio Grande do Norte (Bandini) e do Ceará (Cidadão Instigado - este, convidado de última hora por conta do cancelamento da Vanguart (MT). Muitos subiam no palco pela primeira vez em um grande festival.

Julia Says mostrou que duas pessoas podem fazer o som de 10. Os dois integrantes de Olinda e Recife, respectivamente, ensaiaram quatro vezes para tocar no palco do festival e mostraram o álbum – é +, que sai por selo independente.

Próximos festivais
Segundo o site da Associação Brasileira de Festivais Independentes (Abrafin), os próximos festivais de música acontecem no início do ano que vem:
>> Humaitá Pra Peixe (RJ / RJ) - de 09 a 31 de Janeiro
>> Grito Rock América do Sul 2009 (50 cidades): 13 a 29 de Fevereiro

02/10/2008 às 17:39
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Saramago, o despudorado


Por Fernando Gazzaneo

Nunca uma fila para comprar pipoca me deixou tão irritado. Enquanto dezenas de pessoas se amontoavam para garantir o aperitivo durante o filme, atrás do balcão, a vendedora acrescentava, com a maior calma, a pegajosa manteiga por cima das pipocas, caminhava lentamente entre a geladeira de refrigerantes e o caixa, além de demorar um século para digitar os malditos números na maquininha de débito. Dessa vez, a minha impaciência tinha explicação: não podia deixar de presenciar o exato momento em que um homem sem nome, parado no semáforo, fica cego.

Me refiro à primeira cena de filme Ensaio sobre a Cegueira, do diretor Fernando Meirelles, baseado na obra do escritor português José Saramago. Parece exagero, mas minha ansiedade pra ver o filme era comparável a de alguns amigos que aguardam pelo show da Madonna, em dezembro. Isso porque ler Saramago foi como um despertar para o prazeroso universo dos livros. Me lembro perfeitamente do dia em que fucei como não quer nada na estante de livros de casa e encontrei uma edição do livro. Não sei por que, mas resolvi lê-lo. Passei as madrugadas das férias de julho do colégio me deliciando (eis a palavra) com aquela história na qual pessoas ficam misteriosamente cegas.

A verdade é que foi só no final da adolescência que descobri porque gostava tanto do autor português. Ainda não estou certo de tudo, mas talvez seja porque Saramago eleva a condição humana ao ponto máximo do caos. A metáfora disso é a misteriosa epidemia de cegueira branca, responsável por transformar um lugar, também sem nome, em desordem total. Nesse cenário, pessoas até então ‘civilizadas’ expõem suas fragilidades - digladiam-se e, por vezes, comovem pela mais completa desolação. O despudor dos livros do escritor português – como o 'O evangelho segundo Jesus Cristo' e ‘O homem duplicado’ – traz à tona o que o há de mais esperançoso e monstruoso em cada um de nós. E isso tudo é fascinante.

Não fui ao cinema esperando que o filme fosse um retrato fidedigno do que está no papel – se fosse, aliás, seria bem chato. Ver o filme do Meirelles era como contemplar aquilo que até então só existia na idéia. É claro que algumas falas e cenas se encaixam melhor no livro, como a do primeiro homem que cega no farol, por exemplo. Mesmo assim, Meirelles chegou muito próximo da densidade que marca a obra de Saramago, ainda mais se levar em conta a dificuldade de transportar uma história como a de 'Ensaio sobre a cegueira' para as telas. O resultado de uma boa adaptação são cenas como a do estupro coletivo ou a de Julianne Moore, que luta feito um animal por comida. Difícil sair imune. 

01/10/2008 às 17:09
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