OBJETO DE DECORAÇÃO
É verdade. Esqueça os endereços escondidos e as estantes recheadas de pênis grotescos cobertos por uma camada de poeira. Bem decoradas e localizadas em pontos nobres, as novas sex shops oferecem dos vibradores mais óbvios, claro, às versões mais modernas, com jeitão de toy art ou que impressionam pelo cuidado de seu design. Os produtos da marca sueca Lelo (www.lelo.com), por exemplo, são entregues em estojos pretos clean e, de tão lindos, merecem ser exibidos em cima da mesa (não a de cabeceira, mas a de centro, na sala). Há também patinhos, peixinhos e flores que vibram. Além de dar prazer, ocupam com dignidade a prateleira do banheiro.
Nos Estados Unidos, a transformação do mercado erótico se deu há mais tempo. Foi depois de morar lá por quase dois anos, entre 2000 e 2001, que a estudante de sociologia Tatiana Tonsmann, 26 anos, teve a idéia de montar a sex shop Hilda Boutique na Vila Madalena, bairro descolado de São Paulo. "Fiquei impressionada com a naturalidade com que as minhas amigas de lá falavam de acessórios íntimos", conta ela. "Todas tinham um." Segundo pesquisa da fabricante de cosméticos eróticos KamaShastra (que produz óleos lubrificantes, cremes, talcos e geléias comestíveis, etc.), 86% das americanas possuem um vibrador. Disposta a fazer essa moda pegar entre as brasileiras, a empresa anunciou em setembro uma parceria com a grife de lingerie Duloren. Vai colocar seus produtos (e também vibradores) nos 22 mil pontos de venda da marca. Ou seja: será possível comprar brinquedinhos do prazer até em grandes redes de varejo, como as Lojas Americanas ou as Lojas Marisa.
COMPRE COM O NARIZ
Sex shop é lugar para se entrar de nariz em pé. Afinal, é na pontinha do equipamento olfativo que os vibradores devem ser testados, como ensina a vendedora Cybele Bender, da loja KamaShastra: "Trata-se da área do corpo em que a sensibilidade é mais parecida com a do clitóris". Será? De fato, com o nariz a postos é fácil perceber que os brinquedos vibram com potências diferentes - os mais equipados possuem até controlador de intensidade. Alguns são movidos a pilha, outros vêm com carregador. Há modelos de vidro, incapazes de tremer, mas que podem ser esquentados (em banho-maria) ou esfriados (na geladeira), prometendo um prazer diferente. "Os curvos vão ao ponto G", explica Brunno Almeida, da Maison Z. "E o nosso campeão de vendas gira a ponta para um lado e o restante no sentido oposto." Uau! Que homem faria isso?!
[img05] RAFAELA - A COLECIONADORA
Pelo jeito, vai ficar cada vez mais fácil para a publicitária Rafaela Lotto, 26 anos, aumentar sua coleção. O primeiro vibrador que ela usou, há cerca de três anos, foi presente do namorado. "O Bruno me deu um cor-de-rosa, com lacinho, em formato curvo, dizendo para eu usar sempre que ele viajar." Pára-quedista, Bruno passa pelo menos 30 dias por ano nos Estados Unidos, participando de competições. Volta de lá sempre com a mala cheia de presentes eróticos (uma vez, o casal foi parado na alfândega de posse da parafernália!). "Ele até participa de comunidades de troca de opiniões sobre os lançamentos."
[img04] A MARIANA ACHAVA VIBRADOR HORRÍVEL
Se a engenheira Mariana Juer, 28 anos, tivesse sido convidada a dar seu depoimento sobre vibradores logo depois de usar um pela primeira vez, há dois anos, teria sido taxativa: horrível. "Eu não sabia o que fazer com ele", conta. "Achei a experiência muito estranha, mas depois resolvi dar uma segunda chance ao 'rapaz'." Resultado: apaixonou-se. "Com a ajuda do Mister Big (apelido que ela deu ao brinquedo) descobri pontos de prazer que eu desconhecia." Depois de uma longa temporada de fidelidade a Big, Mariana resolveu abandonar a monogamia vibratória quando ganhou outro acessório de uma amiga, há sete meses. "A minha turma adora sex shops. Nós sempre vamos juntas."
[img01] A MARIA TEM VERGONHA
Maria Angélica Duca, 18 anos, estudante do 3o colegial, também freqüenta boutiques eróticas em grupo. Mas nunca teve coragem de adquirir nada que não fosse lingerie. "As calcinhas e sutiãs desse tipo de loja são bem mais bonitas e diferentes", conta. "Eu já quis comprar um vibrador, mas desisti por vergonha de levá-lo para casa. Durmo com a minha irmã." Entre os vendedores do ramo não faltam histórias curiosas sobre as estratégias da clientela para driblar esse tipo de dificuldade. "Atendi duas meninas que levaram um vibrador em parceria", lembra Tatiana, da Hilda Boutique. "Elas combinaram de usar com camisinha. E ainda brincaram: 'Qualquer namorado já não foi compartilhado com outras mulheres?'."Em tempo: algumas lojas eróticas fazem vendas online com entregas para todo o Brasil.
Foto: Marcelo Naddeo (Retratos) / Rafael Defini (Stilss)