Continuo o casamento ou fico com o amante?

Sou casada, mas me relaciono com outro homem que também é casado há um ano e dois meses. Tudo começou pó acaso, sem intenção de continuar. Nós trabalhamos no mesmo local, mas em setores diferentes e acabamos fazendo intervalos juntos para ficarmos mais pertos um do outro. É sempre ótimo quando estamos juntos: o beijo na boca é maravilhoso, adoramos transar, realizar nossas fantasias. Cada encontro me dá frio na barriga e nervosismo e acho que estou amando esse homem. Com o meu marido também é bom, mas eu não sinto esse frio na barriga nem saudades. Só de pensar em ficar longe do outro homem, fico mal humorada. Ele também gosta muito de mim. O que eu faço?

A., 33 anos, Poá, RS

Sua pergunta sobre o que você deve FAZER com a situação é impossível de ser respondida por outra pessoa, porque, na verdade, a resposta diz respeito ao que é mais importante para você. Algo que pode ser bom para uma pessoa, pode ser ruim para você. Reflita: pensando em sua história de vida e seu jeito de ser, o que é mais valioso? Valerá apostar no prazer de um novo encontro amoroso, com mais riscos e dúvidas sociais, porque para você não há como viver deixando de lado novas possibilidades e emoções? Ou você teria que investir mais no seu casamento, com seu marido, porque a estabilidade do compromisso matrimonial, de aprovação social, lhe dá um "chão" sem o qual você seria muito infeliz? E pode até ser que você consiga seguir em frente com uma situação dupla: muitas pessoas fazem isto.

Mas não se iluda pensando que esta duplicidade não lhe trará dificuldades também: o contato com este outro homem mudará as relações que você tem com seu marido. Não é a mesma dinâmica psicológica, e provavelmente você não amará seu marido como antes. Tudo bem para você? Conseguirá mesmo assim ficar casada? Aceita este risco?

Ou seja, qualquer que sejam as suas escolhas, tenha consciência de que todas têm um preço, pois nenhuma atitude corresponde a só ter prazer. Esta é uma das coisas que aprendemos como adultos: não existem escolhas que só tragam lucros.

Jonia Lacerda Felício

Jonia Lacerda Felício

Doutora em Psicologia Clínica pela Universidade de São Paulo (USP), chefe no serviço de psicologia do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da FMUSP. Docente do curso de Psicologia do Centro Universitário São Camilo.




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